segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Amor ao Futebol.

            
               Comecei a jogar federado desde os 8 anos e quando praticas uma modalidade tens sempre o desejo de melhorar o máximo possível, pelo menos comigo era assim, todos os treinos dava o máximo de mim desde essa idade, visto que não era muito bom tecnicamente, restava-me a força, a garra, a vontade de ser melhor, a vontade de vencer, dava tudo de mim nem que fossem apenas 5 minutos, mas esses 5 minutos tinham que valer a pena. Ao longo dos anos estava a começar a colher os frutos, encontrava-me em excelente forma, principalmente a partir do escalão de iniciados. Nessa altura só pensava em futebol e ansiava sempre pelo jogo seguinte, e tinha a enorme vontade de mostrar o que valia, e os meus pais sempre me diziam para não esquecer os estudos, e felizmente os ouvi.
                Com 16 anos chego aos Juvenis e com muito esforço lá ia jogando na equipa principal, até que uma semana não pude ir ao jogo, e no jogo seguinte iniciei-o no banco. Ansioso aguardei a ordem do treinador para aquecer e no inicio da segunda parte foi o que aconteceu, e a meio da mesma fui chamado a entrar, enquanto o jogo decorria sentia-me cada vez melhor, até que, no fim de lance em que tentava impedir que a bola saísse, tentei voltar para a minha posição dentro de campo, mas na rotação do meu corpo, o meu pé ficou preso na terra e o meu joelho não aguentou, eu e alguns companheiros meus ouvimos um estalar a sair de dentro dele, e como se um fecho se abrisse dentro do meu joelho, bem como falta de estabilidade, soube de imediato que não era coisa boa, mesmo assim tentei voltar ao jogo e num lance em que tento fazer um sprint a perna falhou-me como se me faltassem as forças, fui obrigado a sair com ajuda de um companheiro fui para o balneário, o joelho cada vez estava mais inchado. Ao fim de algum tempo fui pelo seguro fazer exames, o médico mandou me fazer uma ressonância magnética, e quando o resultado saiu fui chamado para saber o que se passava, só pedia que não fosse o que eu pensava, mas infelizmente o que eu temia aconteceu, tinha tido uma rotura do ligamento cruzado anterior e o meu menisco do joelho direito também tinha sido afetado, fiquei de rastos 8 anos de esforço num desporto que amo tinham ido por agua a baixo. Passado uns tempos só queria ser operado, pois só pensava quanto mais rápido o fizesse mais rápido poderia voltar a jogar, passado cerca de 1 ou 2 meses fui operado, correu tudo bem, mas não estava habituado a estar naquela situação, só podia mexer os braços e a perna que estava boa pois estava a ser medicado pela coluna por um cateter, e por isso aquelas 2 noites no hospital foram horríveis só consegui dormir cerca de 6 horas no total, apesar de ter sido muito bem tratado. Só estava previsto ter alta ao quarto dia, mas no terceiro dia com ajuda pus me pela primeira vez a pé e sentaram me num cadeirão, é então que chega o médico e me pergunta se queria ir embora, e como é obvio respondi que sim e então voltei para casa. Passado poucos dias tirei os agrafos e fazia fisioterapia que a cada melhoria que via mais vontade tinha em continuar, sempre com o objetivo de voltar a jogar. Depois de 8 meses de muito sacrifício, esforço, voltei a treinar e a jogar, era juvenil de segundo ano.
                Com 18 anos e já nos juniores tentava integrar a equipa principal, não estava fácil, mas continuava a trabalhar com o mesmo empenho do primeiro dia. Na segunda volta do campeonato chega finalmente a minha oportunidade, iria iniciar o jogo na equipa principal. Fomos então aquecer e como estava muito calor eu comentei se não iam regar o sintético que se encontrava muito quente e seco, sendo muito perigoso á prática de futebol. Iniciou-se o jogo e o campo não fora regado, decorridos cerca de 10 ou 15 minutos de jogo, enquanto aliviava uma bola, no momento em que a ponta da chuteira deixa de estar em contacto com o chão, ouvi mais uma vez aquele estalar horrível, nem queria acreditar mais uma vez todo o sacrifício e esforço foram em vão, nesse momento agarrei-me ao joelho esquerdo a gritar, nem precisava de exames pois já sabia o que se tinha passado, mais uma rotura  do ligamento cruzado anterior mas desta vez no outro joelho. Voltei a fazer a ressonância magnética que confirmou o que eu temia. É horrível no simples caminhar a nossa perna nos falhar, não conseguires correr, não conseguires fazer coisas tão simples e que pertenciam ao teu dia-a-dia desde que te lembras. Desta vez sentia-me de rastos e motivação que tinha da primeira vez já não existia, não pensava em voltar a jogar, as noites eram horríveis principalmente depois da operação, em que olhava para a minha fotografia a jogar futebol e pensava, e agora que vou fazer? A minha vida toda tinha o futebol e naquele jogo tiraram-me a coisa que mais adorava fazer, estava de rastos. Alguns meses depois, salvo erro, em novembro fui operado, não correu tão bem como da primeira vez, mas ia recuperar, fiquei 2 noites também no hospital, recordo-me de tal como da primeira vez nas duas noites juntas só ter conseguido dormir cerca de 6 horas. Comecei a fazer fisioterapia muito tarde porque a ferida não queria cicatrizar, e como tal a fisioterapia custou-me imenso, lembro-me de uma sessão que fiz que me estava a doer tanto a perna a fazer fisioterapia, que eu gritava muito mesmo, quando sai doía-me tanto a cabeça, que tive que tomar um comprimido.
                É nestes momentos que vemos quem realmente se importa, quem são nossos amigos, e quem não quer saber de nós, é nestes momentos que nos tornamos mais fortes, que mais aprendemos e mais amadurecemos. 
                Com esta operação só voltei á escola em janeiro perdendo assim muitas aulas de Matemática, que era a única disciplina que faltava para concluir o 12ºano, pois as restantes já tinham sido feitas no ano letivo anterior, mas como tinha sido operado no 10º ano as minhas notas baixaram um pouco, e no 12ºano quando me lesionei acabei por deixar Matemática por fazer. No exame finalmente consegui fazer Matemática e concluir o 12ºano.

                Depois de 1 ano sem saber bem o que fazer, e muito grato aos meus pais por terem insistido para que eu estudasse, pedi-lhes se poderia ir para a Universidade, e eles responderam que podia, foi aí que ingressei na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro no curso de Ciências do Desporto, com o desejo de poder trabalhar na área do futebol, e quem sabe, quando acabar o curso tentar jogar pelo menos mais um ano.  

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